A série original produzida pela gigante do streaming Netflix “Cidade Invisível” está batendo recordes de audiência e crítica no Brasil e exterior.

Através da genialidade do diretor Carlos Saldanha, reconhecido mundialmente por animações tais como Rio ou Era do Gelo (Ice Age), o folclore brasileiro ganha notoriedade no mundo inteiro e conquista a cada dia mais espectadores.

Diferente de outras obras produzidas no Brasil, onde as favelas, violência e corrupção são os temas centrais, Saldanha compartilha com o resto do mundo o rico folclore nacional que é formado por uma amálgama de lendas indígenas, africanas e europeias, mas sem deixar de tocar em temas sensíveis tais como as ocupações derivadas da desigualdade social, ou os desafios em relação a preservação do meio ambiente diante do avance contínuo e inexorável do mundo moderno.

O protagonista, um agente da polícia ambiental, aos poucos é submerso em um mundo de fantasia, onde o lendário e o real se juntam mediante uma narrativa impecável.

Longe da figura rígida do famoso “capitão Nascimento”, as personagens desta obra foram mais humanizadas, com defeitos e mais de um problema moral e ético, algo mais fácil do público de entender.

O sucesso da obra mostra aos poucos uma mudança da própria população, uma recuperação do orgulho nacional, que fora usurpado pelo discurso pseudonacionalista do atual governo que se apropriou de instituições nacionais e até mesmo das cores da seleção brasileira.

Saldanha conseguiu recuperar a autoestima do brasileiro quanto a sua cultura mais básica, a lendas da infância, sem submeter-se aos padrões da grande mídia ou divisões sociais, mas adaptando e elevando a cultura local a um lugar de destaque em um mundo cansado do uso de outras lendas e mitologias tais como a nórdica, celta, egípcia, judaica etc.

Sem dúvidas estamos diante de uma obra que pode representar um grande divisor de águas, um neo-tropicalismo, e o início de um diálogo necessário em nossa nação dividida.

Cada capítulo é uma celebração da cultura brasileira, sendo talvez um dos principais pontos de encontro o momento no qual a Iara, interpretada pela atriz Jéssica Corés, encanta com a música “Sangue latino” tão conhecida por velhas gerações, mas ignorada pelos mais jovens… jovens estes que dançavam a favor de um governo com um discurso homofóbico e conservador, mas cujo intérprete original Ney Matogrosso popularizou com toda sua ambiguidade sexual… Em somente uma cena toda boêmia do bairro da Lapa, berço de diversos movimentos culturais, toda a miscigenação, toda a beleza de ser brasileiro….

Assim como o Sítio do Pica-Pau Amarelo de Monteiro Lobato a série mostra esse poder de seduzir as pessoas a conhecer melhor sua própria cultura, sem ridicularização ou aversão, mas como uma forma de revelar a riqueza cultural que existe no Brasil e de como a frase “O Brasil é um país sem cultura” ecoada em diversos meios que lucram com a miséria alheia, está equivoca.

O Brasil tem sim uma rica cultura e rico folclore! O mesmo não é motivo de vergonha, mas de celebração, é o que nos une a todos, são o reflexo das demandas e preocupações do povo em seu estado mais puro.

E desejamos que esta série de fato seja somente o começo de uma nova era onde o orgulho nacional seja de fato recuperado, e não como um recurso político cristalizado em um suposto mito, mas o reflexo de tudo aquilo que somos como povo, um povo diverso e colorido!

Wesley Sa Teles Guerra, atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.