Da primeira publicação especializada, a Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI), criada em 1954, e do primeiro curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), criado em 1974, até a consolidação de Relações Internacionais como profissão em 2020, a carreira passou e segue passando por desafios. Para uma profissão em construção, além das incertezas inerentes ao seu processo de reconhecimento pela sociedade, governo e mercado, esta sofre e pode crescer em meio aos novos desafios, desde que seja capaz de apresentar alternativas.

As carreiras tradicionais podem encontrar dificuldades para se adaptar, pois já contam com um arcabouço de regras, normas e reconhecimentos difíceis de serem alterados. Ao longo da nossa história, dado os avanços em diferentes áreas, em especial os econômicos e tecnológicos, muitas carreiras nasceram e outras tantas perderam relevância, até mesmo foram esquecidas. Por isso, a mudança é uma constante — não sendo exclusivo de uma única área — capaz de mostrar a força ou a fraqueza de uma profissão.

A medicina, por exemplo, acompanha e procura incorporar os desafios da globalização e dos diversos avanços científicos e tecnológicos, sendo um exercício constante para os profissionais e instituições a busca pela adaptação. Não é tão simples para a medicina, como destaca Marina Peduzzi:

O impacto que o novo contexto de produção globalizada centrado no processo produtivo flexível provoca no trabalho em saúde ainda precisa ser mais bem compreendido, mas certamente há repercussões, algumas mais explícitas, como as que decorrem das mudanças organizacionais e gerenciais e das inovações tecnológicas, ambas incorporadas pelos serviços de saúde (2002, p. 83).

Uma profissão é a identidade que um conjunto de pessoas carrega, sendo uma construção social, talvez mais clara em outras profissões, como a Medicina. Mas, como identidade, precisa ser afirmativa, inclusiva, contemporânea e integrada com os novos desafios para que possa crescer e gerar impactos positivos na sociedade. Para as antigas profissões, o desafio da identidade é o da renovação. Para as novas, a busca por reconhecimento.

 Para carregar uma identidade, seja ela no âmbito profissional ou pessoal, é preciso compreender e compartilhar dos inúmeros questionamentos e entendimentos coletivos, sabendo diferenciar vontades e interesses particulares dos demais. Ao se identificar como profissional, você passa a ver os seus colegas de formação e profissão, e vão construir uma relação de muitos debates visando a superação dos desafios comuns. Isso permite entender que há uma carreira a ser seguida e que não se pode chegar ao topo sozinho.

Em um mundo de questionamentos e aceleração tecnológica, há duas alternativas: procurar entender as mudanças e incluir as novas práticas ao desenvolvimento da profissão ou perder relevância pela defasagem e prepotência. Essas alternativas são observadas dentro das cidades, por exemplo. A cidade se tornou o espaço onde as relações internacionais são exercidas e é o fórum privilegiado de integração e convergência entre profissões e sistemas, quais precisam se comunicar, otimizar os recursos e diminuir os desperdícios. Se a profissão de analista de Relações Internacionais não for capaz de se integrar e gerar impactos positivos nesse contexto, perderá sua relevância.

Por isso, é preciso entender a transição que a nossa sociedade passa, catalisada pelos últimos acontecimentos, e que joga um novo peso ao conceito de identidade. Para Patricia Whebber Souza de Oliveira:

as transformações ocorridas na Sociedade, caracterizada basicamente pela transição de uma sociedade industrial para pós-industrial, têm exigido uma maior reflexão sobre  a  organização  social  do  trabalho,  as  exigências  de  novas  competências  e  seus reflexos nas relações sociais e na formação identitária do sujeito (2011, p. 116).

Temos nossa identidade enquanto profissão e nosso perfil profissional. O perfil de cada um é único, pois somos dotados de diferentes capacidades e qualidades, mas compartilhamos um conjunto de conhecimentos e entendimentos coletivos. Quando somos capazes de reconhecer a existência de uma profissão, também começamos a trabalhar pela sua melhoria e a pensar como se integrar e gerar sinergias com outras carreiras, o que nos garante melhores condições e amplia a ressonância de nossas vozes, alcance do nosso trabalho e impacto no desenvolvimento da sociedade.

Nos últimos anos já se vislumbrava a interiorização e popularização do curso e do perfil do internacionalista, sendo consolidado no reconhecimento pelo mercado e na ampliação dos cursos e das instituições dedicadas ao desenvolvimento de profissionais, como o CERES. Então, para entendermos a carreira de relações internacionais, é essencial partir dos desafios que já se apresentavam e dos que vamos ter agora, em especial pela radical ruptura no mercado de trabalho, com a virtualização dos serviços e busca por integração e cooperação nunca imaginados.

  1. Velhos desafios: integração e formação

O maior desafio de todos, e que marca uma das mais duras realidades da nossa carreira, é a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e de práticas profissionais. Esse desafio se acentua e gera a necessidade de criar canais de comunicação entre os profissionais e com todas as entidades da sociedade para entender qual o papel que devemos assumir, que ainda não é claro e está muito longe de alcançar o seu potencial. Entretanto, não se pode fazer isso sem a construção entre os profissionais e estudantes de Relações Internacionais de como podemos transformar e impactar positivamente nossa sociedade através dos serviços que somos capazes de oferecer.

Nesse contexto, a preparação — por profissionais mais experientes e instituições que procuram o desenvolvimento da profissão — de cursos, de guias, de encontros e de mentorias se tornam a principal e mais acessível maneira de criar oportunidades e de preparar os novos profissionais para os desafios que estes vão se deparar em suas carreiras. Para aqueles em início de carreira, se não tiverem o devido apoio e integração para a construção da identidade profissional, será um caminho duro e deslatendador.

A abertura de mercado é, em consequência, urgente. Ninguém consome um produto que não conhece, pois não foi apresentando seu potencial e benefícios. E a quem compete fazer isso? Quanto se trata de uma profissão, todos que atuam nessa área são responsáveis e responsabilizados. Por se tratar de algo coletivo, em uma carreira não há um único nome, mas um conjunto. Para que o mercado cresça. é preciso levar diferentes estratégias a cabo: reuniões com entidades setoriais, organização de eventos e feiras de carreira, divulgação de serviços e maior entendimento entre os profissionais da importância de cooperar e de se integrar. Através dos ciclos de profissionais, como o que se inicia com a inclusão de novos membros no CERES, por exemplo, é possível unir forças para essas atividades, pois não são fáceis.

Para que o internacionalista tenha o impulso que precisa para romper as barreiras do mercado, além da integração entre os profissionais e das atividades de divulgação dos serviços, é preciso que ele assuma o seu papel de interlocutor. Basta se perguntar: quantas vezes eu criei canais de comunicação através da elaboração de análises setoriais? A sociedade precisa entender nosso papel como internacionalista e ser guiada para as atividades que o campo internacional gera, isso não acontecerá se não tiver uma ação direcionada e consciente entre os profissionais. Esse exercício pode ser feito com os seus familiares, pois se você não é capaz de explicar para eles ou para uma criança o que faz, não será capaz de convencer um empresário ou liderança a incluir um internacionalista nos negócios.

Entre os antigos desafios, o direcionamento profissional voltando para a realidade da sociedade e do mercado de trabalho é um dos mais difíceis de se romper. Para o mercado querer o internacionalista, é preciso que sejamos capazes de apresentar saídas para os desafios, o que não se nota nas práticas atuais de muitos. O direcionamento da carreira precisa contemplar inúmeras questões, sem perder de vista o que o momento pede: ser pragmático e pautado pelas demandas urgentes da sociedade. Isso implica buscar entender o que é preciso ser feito agora e que vai gerar condições de avançar para temas mais sofisticados e de difícil aplicação. Então, o mapeamento do mercado e direcionamento, além de fundamental, requer quebrar barreiras culturais, políticas e econômicas que muitos não imaginam ser preciso ao escolher cursar relações internacionais.

Apesar de ser uma formação que abrange muitos temas, o não direcionamento e tendência ao superficial, traz um desafio dos mais comuns, que se torna uma armadilha para muitos: ser multidisciplinar sem ser superficial e, ainda por cima, em condições de traduzir o conhecimento adquirido ao longo da formação tradicional em ações e direcionamentos para um campo específico. Além disso, é preciso direcionar a comunicação, pensar em quem está do outro lado e entregar em uma linguagem simples e acessível o que somos e podemos fazer, sendo essa parte da cultura de envaidecimento e isolamento da ciência, da universidade e, especialmente, dos profissionais que se nota na área.

Esses desafios não são simples mas também não impossíveis, como se pode perceber. E, como profissionais, temos que nos preparar para os novos desafios também. Por isso, esse exercício busca contemplar questões que nem todos estão dispostos a discutir, e que pode ainda ser fruto da tendência de aceitação de retóricas baratas e de soluções prontas para problemas complexos. Por isso, também é preciso pensar em como nossa profissão pode enfrentar o atual cenário e crescer, não se limitando ao que as outras áreas fazem, mas aprendendo e se integrando com a sociedade.

  1. Novos desafios: caminhos para uma nova carreira

A pandemia, o atual momento da sociedade e a política nacional imprimem desafios extras. Sendo um deles o próprio Estado, o maior patrocinador das Relações Internacionais, capaz de direcionar recursos para concretizar sua presença internacional. A sua agenda, entretanto, gera poucos negócios, parcerias e integração; consequentemente a demanda e oportunidades para os internacionalistas é limitada. No Brasil, a termos de contexto, diversos setores da economia estão habituados a seguir a abertura comercial promovida pelos interesses dos diferentes Chefes de Estados que passam pelo Palácio da Alvorada. No cenário atual elas vão encontrar dificuldades em suas ações internacionais, sendo um desafio para o internacionalista mostrar alternativas.

Se as empresas não encontram no seu governo um caminho para sua internacionalização, elas vão seguir para dois lados: a construção de uma política externa própria ou abandono do campo internacional. As que optam pela segunda opção pertencem a um grupo onde a competitividade de alguns setores se dá/se dava pelo fácil acesso aos financiamentos e acordos advindos da ação externa dos governos para a promoção da integração comercial.

Em um momento de contração econômica e de pandemia, com fronteiras fechadas e de restrições ao comércio e ao crédito, a busca por alternativas se torna mais difícil, em particular para pequenos e médios negócios. As fórmulas que costumavam funcionar, não vão funcionar, sendo que já não eram as melhores. Nesse contexto, as empresas são compelidas a buscar alternativas para abrir novos mercados ou para preservar o que há, sendo a oportunidade para apresentar uma nova carreira e novos profissionais. O novo desafio para os internacionalistas é, então, se posicionar como agentes de transformação capazes e capacitados para criar uma agenda de integração e de retomada gradual dos negócios internacionais.

Novas profissões, como Relações Governamentais, vão compartilhar de desafios e procurar se associar aos demais para ganhar forças, sendo primordial diálogos intersetoriais e interclasses. Para tanto, é preciso pensar para além dos setores tradicionais para encontrar opções acessíveis e que possam somar ao esforço de criação de novas oportunidades. As empresas de base tecnológica e com capacidade de internacionalização (produtos escaláveis e de fácil conversão/adaptação para múltiplos mercados), as cidades que agora procuram solucionar seus desafios de forma independente sem esperar por recursos da União, as organizações da sociedade civil que visam solucionar as dificuldades econômicas e os problemas sociais, entre outras, representam o novo caminho, podendo incluir setores tradicionais que estejam disposto a se reinventar, como o turismo e a moda.

O papel do paradiplomata, do consultor de Relações Internacionais, do diplomata corporativo ou independente crescem de importância, representando a busca por se inventar e dar respostas que determinados setores precisam. Mas, demandam nova quebra de paradigma entre os internacionalistas e a universidade, para que os cursos de graduação não tardem em se adaptar aos novos desafios, e ofereçam novas disciplinas, como: entes subnacionais, internacionalização de empresas de base tecnológica, marketing e serviços digitais.

Enquanto isso não acontece, a alternativa é a busca por cursos livres, entrando novamente no desafio da integração entre profissionais como resposta e alternativa para a profissionalização do egresso dos cursos de Relações Internacionais. A formação de grupos de estudos específicos e de associações vão somar ao esforço atual de qualificação e de abertura de mercado, dando ao internacionalista a estima e o apoio necessários para se ver como agente de transformação.

Em um cenário de críticas desmedidas e de busca por culpados, ser propositivo é fundamental. O internacionalista é solucionador de problemas, por isso não importa de tenha vindo o vírus ou as dificuldades comerciais, pois ele entende que é preciso estancar a sangria, atender quem mais precisa, ouvir as demandas e partir para a ação. O desafio atual é, como se nota, capaz de gerar inúmeras oportunidades profissionais ou de impor um papel secundário ao campo das Relações Internacionais. Para que o quadro pessimista não se realize, é preciso trabalhar ações pensadas para as empresas avançarem através da internacionalização e da cooperação técnica para o crescimento dos negócios com ganhos coletivos.

O desafio atual está nas pequenas práticas essenciais nesse momento. Isso pode ser dito da seguinte forma: não espere entrar em uma organização ou empresa para se portar como internacionalista ou gerar uma contribuição. As empresas e pessoas precisam de apoio e de aconselhamento para superarem suas dificuldades, para então poderem reabrir suas portas. Comece com os recursos e contatos que você tem acesso e proponha projetos e ações simples para a melhoria dos negócios, em especial para lidar com as dificuldades econômicas e de relacionamento com os clientes. O mercado valoriza cada vez mais pessoas de iniciativa, capazes de liderar equipes e de fazer mais com orçamentos limitados em cenários de muitas incertezas.

Os novos e velhos desafios existem para serem superados e apenas com o fortalecendo da profissão vamos ser capazes de abrir novos caminhos. Isso passa por entender que em cada dificuldade mora um aprendizado e uma possibilidade de fazer diferente. A hora é de aprendizado e de ruptura para caminharmos na direção da quebra de barreiras. O desafio desse momento é se apresentar como agente dessa transformação. Ao contribuir para construção da nossa carreira, cada um fazendo sua parte, as oportunidades vão a aparecer para todos.

Para não paramos por aqui, vamos trazer encaminhamentos e opções para o desenvolvimento de carreira pensados para lidar com os novos e velhos desafios. Para tanto, o próximo tópico aborda uma série de práticas que podem ser implementadas com a vontade do internacionalista de assumir esse novo papel, a começar pelo planejamento de carreira em harmonia com os valores e limitações dos tempos de recessão e de pandemia.

  1. Para todos os desafios: planejamento e integração

Construir uma carreira em Relações Internacionais, pensando em tudo que já vinha sendo feito e agora com um novo olhar dos novos desafios, requer boas práticas. Elas precisam ser levadas a cabo e pensadas por todos os profissionais, tanto aqueles em início de jornada quanto pelos mais experientes. Repensar o trajeto e aproveitar o percurso é uma qualidade única e torna o desafio de crescimento profissional especial, pois não alcançaremos os objetivos profissionais sem passar por etapas, em particular as pequenas e difíceis batalhas.

Cada jornada é única, mas os elementos constitutivos estão sempre presentes e dialogam com os demais colegas de profissão e instituições. Ao iniciar uma carreira, assim como para quem percorre uma estrada, passamos por etapas já percorridas por outros profissionais, e ao mesmo partimos para desbravar novas opções — portanto a integração é uma das boas práticas e elemento primordial. O caminho pode ser o mesmo, mas as escolhas e atitudes vão variar, pois, quando se trata de ser humano, não há respostas exatas. Por isso, saber como atuar e buscar novos patamares é fundamental, para tanto não basta a prática, mas as boas práticas.

Como você pode se dar conta das boas práticas? Observe a resposta e o comportamento dos seus parceiros, note os padrões e condutas. Comece por adotar aquelas que você considera importantes. Outra forma é a busca de aconselhamento, em especial para quem está indicando a quer seguir com as melhores práticas — dessa forma você não se cansa, aproveita o percurso e chega em segurança ao seu destino.

 Além de entender os desafios do mercado de trabalho, é preciso pôr em prática nossas capacidades de transformação da realidade local da melhor forma possível. A crítica quanto novas profissões, em especial pela desconfiança e desconhecimento, nos coloca um peso extra. A resposta correta para esse momento, que se aprende e aplica pelas boas prática – consagradas em outras áreas – vai permitir que você assuma o controle e cresça profissionalmente, seja você um recém graduado ou um profissional sênior.

No campo profissional da relações internacionais, você é o principal ator, o produto e o serviço ofertados. Pensando nisso, podemos fazer uma analogia com uma empresa que desenvolve uma “visão” do seu negócio para todos os colaboradores seguirem, nesse caso você precisa construir uma visão e imagem muito fortes para a sua carreira/empresa. Para o Profissional de Relações Internacionais, equivale aos sonhos e ideias, que não podem ser abandonados, sendo importante pensar na sua carreira sempre.

A sua visão pode mudar, isso é compreensível. A sua busca profissional te mostrará novas alternativas, o que requer ponderação e forças para se manter de pé. As tentações para fazer o fácil e errado são muitas. Entretanto, atalhos na profissão podem cobrar o seu preço. Para não se desviar para o caminho errado, é importante colocar no papel a sua missão, visão e objetivos e uma declaração pessoal sua — uma missão particular e um compromisso inalienável com você mesmo. A maioria dos Profissionais que não desenvolvem uma estratégia/visão para suas carreiras vão desistir e dificilmente vão ter sucesso.

Não há uma lista de atributos que um internacionalista precisa seguir e que seja infalível, mas há o aconselhamento e a experiência de quem já trilhou esse caminho. As principais, que se dividem entre competências técnicas, comportamentais e conceituais, permitem um caminho seguro, cabendo a você aprender e adicionar novos elementos, o seu seja: especialize-se. Em uma carreira, ninguém começa do topo e não se chega lá sozinho. Caso exista alguém que tenha feito isso, há de se investigar a sua origem, mas é certo que não se sustentará no médio e longo prazo. Você vai ganhar experiência, desenvolver suas competências e visão, mas, para que isso seja possível, é preciso acreditar em você. Ninguém vai te dar os “parabéns” por um trabalho bem feito, pois a excelência é seu dever. Por isso, é fundamental acreditar em você no seu potencial para seguir a sua jornada. Aqui entra um aconselhamento extra: cuidado com a síndrome do impostor. 

A carreira requer constante atualização e aplicação, sendo parte da nossa identidade e requisitos para uma atuação útil e voltada para a superação dos desafios da sociedade contemporânea. Não significa fazer muitos cursos, mas sim ser capaz de aprender e se preparar para os desafios da sua área de atuação. As empresas valorizam o aprendizado continuado, em especial para a melhoria dos serviços ofertados, redução de custos e superação de desafios diversos. Fique sempre atento às transformações do mercado, conheça as novas necessidades e confira se você está preparado, se seu currículo ainda está atual. Há inúmeras opções acessíveis de qualificação profissional, tanto online quanto presencial, tanto pagas quanto gratuitas. Leia livros, participe de eventos e leia revistas especializadas. Participe de voluntariados, concursos culturais e grupos de estudos.

Considerações finais sobre os velhos e novos desafios do profissional

Percorrendo os velhos e novos desafios da carreira do profissional de Relações Internacionais, o planejamento desta pelo profissional se mostra essencial. Em um cenário de incertezas, a melhor forma de agir é com responsabilidade, estratégia e união.

A formação profissional tradicional e tudo aquilo que já era tido como verdade passa a ser repensado. Não se trata de algo exclusivo de Relações Internacionais, sendo um momento que será marcado pela transformação do mercado de trabalho e da forma como entendemos nosso papel na sociedade. A euforia da globalização e da hiperconectividade poderá se converter na criação de novos espaços de integração, descentralizados e ao mesmo tempo humanizados. A tecnologia que passamos a utilizar durante esses meses servirá ao propósito da sua criação, assim como a roda e a escrita, em seus momentos, de possibilitar a superação de paradigmas e quebra de preconceitos, em especial o de que não é preciso estar presente fisicamente para ser relevante.

Por isso, o desafio dessa articulação entre internacionalistas de diferentes perfis, mas que compartilham uma mesma identidade, é mostrar que não há o que se temer, mas há muito o que se fazer. As antigas justificativas também passam a ser questionadas, dando lugar ao agir. Mesmo com pouco cada um é capaz de fazer uma mudança, sendo o onde estamos e com quem nos relacionamos o ponto de partida, sem ter que esperar pela “hora certa e local certo”. Fica um importante aprendizado dessa pandemia: somos internacionalistas, mas, antes de tudo, somos cidadãos. Temos, dessa forma, que entender que o nosso caminho é o da integração com as demais instituições e pessoas da sociedade, agora livres de preconceitos e das limitações que nos seguravam. Para o internacionalista não há um “novo normal”, como alardeado, mas há o começo de trajetória e de carreira.

Nesse momento de limitação de recursos e de desesperança para muitos, o gesto de solidariedade é essencial. E, para quem ainda não atua como internacionalista, fica o desafio de aplicar os seus conhecimentos como forma de solidariedade. Para os que podem contribuir com suas experiências, seja com a preparação de oficinas, orientação ou mentoria, faça. Atitudes vão valer mais do que qualquer coisa, formando uma carreira de valor e de propósitos, onde a sociedade entenderá sua importância e as empresas passaram a incluir esse profissional para crescerem juntos.

Referências

AGÊNCIA RI. Guia do Internacionalista: Identidade e Campo de Atuação. Relações Internacionais, 2020. Disponível em: <https://relacoesinternacionais.com.br/guia-do-profissional-de-relacoes-internacionais/&gt;. Acesso em: 11 jul. 2020.

OLIVEIRA, P. W. S. DE. Construção de Identidades Profissionais: da Formação Profissional à vivência da inserção no mercado de trabalho. Revista Labor, v. 1, n. 6, p. 115-133, 25 mar. 2011.

PEDUZZI, Marina. Mudanças tecnológicas e seu impacto no processo de trabalho em saúde. Trab. educ. saúde,  Rio de Janeiro,  v. 1, n. 1, p. 75-91,  Mar.  2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462003000100007&lng=en&nrm=iso&gt;. Acesso em: 12  jul.  2020.  https://doi.org/10.1590/S1981-77462003000100007.

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Guilherme Bueno

Analista, professor e consultor de Relações Internacionais com foco em desenvolvimento de negócios internacionais. Bacharel de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Editor da Revista Relações Exteriores.

guilherme.bueno@ri.net.br

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Cristhofer Weiland

Analista e professor de Relações Internacionais com foco em integração regional e gestão de negócios internacionais. Mestre em História, Relações Internacionais e Cooperação pela Universidade do Porto (UPORTO, Portugal) e Especialista em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

crisweiland@gmail.com

Publicado por:Colaboradores