“Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas” Benjamin Disreali.

A frase usada pelo aristocrata e primeiro ministro do Reino Unido é sem dúvidas utilizada como subterfugio de diversos partidos políticos e personalidades… Embora apresente parte de razão, uma vez que a própria ciência estadística afirma a possibilidade de erro, mesmo assim, este é controlado ou previsível. Seja mediante o desvio padrão, a margem de erro, a proporcionalidade da amostra, etc.

Em Relações Internacionais os economicistas utilizam as estadísticas como forma de interpretar o mundo, e mesmo perante a possibilidade de desvios e variações, esta se mostra como ferramenta imprescindível para possuir uma base numérica da realidade estudada…

O grande problema não surge das variações estadísticas, mas sim do uso das mesmas, da incapacidade de interpretação ou da obliteração daqueles que se usam das informações disponíveis sem conhecer os procedimentos metodológicos e matemáticos que se escondem por detrás…

Usar um número em favor de sua visão individual das coisas ou para refutar sua visão de mundo deu voz aos sofomaníacos e pseudo-intelectuais… Isolar um fato ou uma cifra a favor de sua própria interpretação ideológica… Algo realizado tanto por um lado como pelo outro…

As redes sociais deram voz às reflexões individuais e visões parciais como bem apontou Umberto Eco (1932-2016) e vemos isso no nosso dia a dia…

Recentemente o filho do presidente de uma das maiores nações do planeta, candidato a embaixador, deu um claro exemplo do uso arbitrário das informações… Ao estabelecer uma comparação entre a cotação do Real brasileiro e do Peso argentino… Ignorando a correlação entre os mesmos quando comparados com o dólar…

No mundo existem diferentes métricas e interpretações da realidade, desde a temperatura que é mesurada em escalas como os graus Célsius, Fahrenheit e Kelvin ao desenvolvimento humano e econômico. Porém é preciso compreender sua composição e correlação.

Assim mesmo, temas considerados de ciências humanas, também possuem interpretações varias… Democracia, direitos humanos, direitos universais, políticas sociais… Qual é a métrica usada? Se falarmos de direitos universais… Qual é a interpretação do árabe em relação a suas mulheres… Difere este do mundo ocidental?

Cabe ao internacionalista construir as pontes entre as diversas visões do mundo… Buscar no seio de seus progenitores, a Diplomacia e a Política, o diálogo e as negociações entre entes que pensam e quantificam o mundo de uma forma diferente…

O internacionalista é chamado para interpretar e atuar na multidisciplinaridade, visões diferentes, interpretações diferentes…

O mundo não é um grupo de amigos… Não são relações familiares… Mas entes diferentes que devem conviver naquilo que por força comum… Chamamos mundo…

Por Wesley S.T Guerra

16508475_1856260734643784_2512335075699457974_nDoutorando em Sociedade da Informação e Inovação (UOC), Mestre em Políticas Sociais e Intervenção Comunitária (Universidad de Coruña), Especialista em Migrações (UDC), Especialista em Ciências Políticas e Relações Internacionais (FESPSP), MBA em Global Managment (Massachussetts Business Institute), MBA em Parcerías Globais (ILADEC), Bacharel em Administração de Empresas (UCB). Especialista em Gestão de Projetos para o Desenvolvimento pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Membro do Smartcities Council, ECPR European Consortium for political research, Aliança Eurolatina de Cooperação entre Cidades e IAPSS International Association for Political Sciences Students , Atualmente é pesquisador e presidente do CERES e da UFF.

Bibliografia:

Eco, Umberto. Pape Satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida (2017)

Nemo, August. Disraeli Essential Novelist (2019)

Eric Hobsbawm, A Era dos Extremos. História Breve do Século XX 1914-1991 (2008)

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.