Diariamente somos tomados pelo fluxo de novas informações em uma velocidade jamais antes vista, o desenvolvimento tecnológico, como bem podemos dizer, no seu auge. E é nesse contexto que vem à tona a quarta Revolução Industrial, ou Revolução 4.0, que promete mudanças para a transformação de toda a sociedade.

A primeira revolução industrial é marcada pela máquina à vapor, com a produção mecânica e a passagem do trabalho no campo para a cidade, o homem que antes possuía autonomia em seu trabalho, dominando todas as técnicas, se torna livre assalariado, realizando um trabalho específico e individualizado. A segunda revolução industrial apresenta, com o advento da energia elétrica, a produção em massa, com enormes linhas de produção e redução de custo, para que assim, quem produz fosse incorporado na dinâmica da economia, permitindo sua movimentação. Já terceira, introduz o conceito da automação, com a emergência dos computadores e da internet, com dispositivos capazes de gerenciar grandes produções, proporcionando o aumento de produtos e a substituição cada vez mais, da atuação homem. E agora a quarta, denominada como revolução digital, marca uma atuação e modificação mais ampla, com a era da inteligência artificial, da robótica, big data, nanotecnologia, internet das coisas, biologia sintética, sistemas ciber-físicos, impressoras 3D, entre outros.

Para Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, também autor do livro A Quarta Revolução Industrial, as mudanças, no entanto giram em torno da velocidade, impacto sistêmico, amplitude e profundidade, levando em consideração a interdependência e conectividade da sociedade e a abertura para novos avanços, transformando não só a indústria, mas toda uma era, se inserindo no cenário dos tomadores de decisões, na fusão dos mundos físico, digital e biológico, ou seja, permitindo a mudança de toda a sociedade. É o momento em que mundo real e virtual vão se fundir nos setores de produção, será possível a fabricação de produtos de forma personalizada desde a indústria, entrelaçada com a dinâmica de produtividade. Abrindo portas para a reformulação de todos os sistemas a partir da incorporação tecnológica, que se mostra como o resultado de décadas de pesquisas e desenvolvimento na área. (Schwab, K. 2019)

Revolução 4.0 no mundo

 

O advento da Revolução 4.0 no mundo, promoveu uma “corrida” entre os países líderes, que movem bilhões e agita outros para que não fiquem atrás.

Os Estados Unidos investem na promoção de um Manufatura avançada a partir da união de diversos institutos, iniciativas e da aliança pública e privada com ênfase no desenvolvimento de uma indústria mais sustentável, mais digital e mais automatizada, para diminuir entraves e acelerar o processo no mercado.

A Alemanha com a enorme preocupação em não perder uma liderança do setor industrial, investe na Plattform Industria 4.0, como uma rede central com objetivo de impulsionar a digitalização na fabricação, partindo de uma ação defensiva, através da competitividade, e agressiva, com o desenvolvimento de novos mercados, promovendo um modelo que seja invejável à outros países e assim, sirva como molde para o mundo, levando em consideração a venda de produtos e serviços globalmente. Visando customização, flexibilidade, tomada de decisão otimizada, produção e eficiência de recursos, economia circular, oportunidades e outros.

A China que conseguiu se transformar de um país agrícola para uma das maiores economias do mundo, também não fica de fora da competição, com um investimento pesado em políticas de governo, como o plano de ação Internet Plus propondo prioridade com o crescimento econômico, infraestrutura, criação de ambiente e desenvolvimento social, partindo da modernização dos setores e áreas através da internet; e no programa Made in China 2025, lançado em 2015 para promover o avanço tecnológico e inovacional, que visa atuação de conjuntas transformações no país, tanto em liderança como na fabricação de produtos, alinhando qualidade e tecnologia chinesa própria, do Made in China para o Created in China. A iniciativa é de forma gradual, porém dividido em três etapas até 2049, que marca o centenário da fundação da República Popular da China.

O Japão também é outro país que investe bastante, e conta com a atuação de duas iniciativas: o Robot Revolution Initiative e o Industrial Value Chain Initiative, com a finalidade de acompanhar as propostas dos Estados Unidos, Alemanha e China. O governo e setor privado atuam juntos para um novo desenvolvimento da indústria japonesa. O Robot Revolution Initiative possui propósitos que vão desde o envolvimento de interessados em resolver problemas de inovação robótica, segurança da informação, preparação de ambientes de testes, até investimentos na área de cooperação, entre outros. O Industrial Value Chain Initiative visa projetar um sistema conectado mútuo, com o desenvolvimento de 19 grupos de trabalho que vão desde o gerenciamento do ciclo de vida do equipamento, logística, integração, até customização e manutenção em tempo real.

Existem ainda os testbeds, ambientes que simulam os sistemas de produção, que possuem uma infraestrutura compartilhada com universidades e centros de pesquisa, muito utilizados nos Estados Unidos e na Alemanha, ampliando ainda mais a criação e o uso de ‘produtos exemplo’.

O Brasil e a Revolução 4.0

 

O Brasil criou grupos de trabalho, medidas e existe até missões de empresários aos países líderes no processo, a fim de difundir conceitos e tecnologias para traçar projetos. Contamos com a Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, com objetivo de ajudar na transformação das empresas.

Essa agenda possui algumas premissas como o investimento de iniciativas para descomplicar e habilitar investimento privado, fazendo com que essa atue como conectiva e integradora de instrumentos de apoio, bem como analisar, avaliar, construir, debater e testar consensos através da validação de projetos e experimentos, partindo da neutralidade tecnológica, balanceando iniciativas entre empresas e companhias. Se fazendo necessário a importância da integração entre os setores públicos, privados e o espaço acadêmico.

A questão da retomada do crescimento econômico, mesmo que pequeno se mostra significativo, se traduzido em recuperação da economia, fator crucial para o investimento da indústria. Porém, sabemos que o processo é gradativo, e se tratando da nossa realidade, tende a ser mais lento ainda.

Algumas considerações

 

A Quarta Revolução Industrial pode trazer inúmeros benefícios, desde informação e eficiência, mas será que o país está preparado?

O Brasil possui potencial enorme na incorporação da Revolução 4.0, a medida em que conseguir identificar as oportunidades, bem como esse processo já se iniciou em algumas empresas que possuem origem no exterior. Claramente a revolução em si não acontece de uma hora para outra, mas de forma gradual, sendo assim, um grande desafio para o país, levando em consideração a extinção de determinadas profissões, o desemprego, e a tendência de inovação atrelada à educação.

O que nos leva a pensar que o desenvolvimento é para quem? O aumento da desigualdade é um fator determinante na análise, levando em consideração a crescente substituição do homem pelas máquinas, como tendência definitiva, o cenário a qual estamos inseridos e a posição brasileira no atual governo perante a situação do ensino no país.

Seria ignorante não destacar as iniciativas do governo atual na questão de educação, dentre ao fato de que, como sabemos, para o desenvolver de todo esse processo se faz necessário tecnologia e inovação, sendo preciso investimento na educação, pois são esses jovens que ocupam e que irão ocupar as universidades, os profissionais que terão de lidar com essa nova tendência. Passando por um processo ou salto de desenvolvimento significativo em relação às gerações anteriores, com ênfase na mudança de estruturação da sociedade na qual conhecemos hoje, sendo assim, para promover um avanço significativo é de suma importância que os primeiros passos sejam no investimento na educação de nível superior.

Referências:

– ABDI, Governo Federal, Ministério da Industria, Comércio e Serviços (2019). Indústria 4.0. Disponível em: http://www.industria40.gov.br/. Acesso em: 12 out. 2019.

– Advanced Manufacturing National Program Office (2019).  A national advanced manufacturing portal. Programs.  Disponível em: https://www.manufacturing.gov/programs. Acesso em: 12 out. 2019.

– Agência Espacial Brasileira. Indústria 4.0 É Prioridade Do Governo, abr. 2019. Disponível em: http://www.aeb.gov.br/ndustria-4-0-e-prioridade-do-governo/. Acesso em: 12 out. 2019.

– Federal Ministro for Economic Affairs and Energy | Federal Ministry of Education and Research (2019). Plattform Industrie 4.0. Disponível em: https://www.plattform-i40.de/PI40/Navigation/EN/Home/home.html. Acesso em: 12 out. 2019.

– Industrial Internet Consortium (2019). Testbed Working Group. Disponível em: https://www.iiconsortium.org/wc-testbeds.htm. Acesso em:12 out. 2019.

– Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Indústria 4.0 – A iniciativa Made in China 2025. Carta IEDI, Edição 827, Publicado em: 26/01/2018. Disponível em: https://iedi.org.br/cartas/carta_iedi_n_827.html. Acesso em: 12 out. 2019.

– MAGALHÃES, R; E VENDRAMINI A. Os Impactos Da Quarta Revolução Industrial. GV EXECUTIVO, Volume 17, N 1, p. 40 – 43, Jan/Fev 2018. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/viewFile/74093/71080. Acesso em: 12 out. 2019.

– POSCO Reports. China Is Shifting to the ‘Smart Factory of the World, nov. 2016. Disponível em: https://newsroom.posco.com/en/china-shifting-smart-factory-world/. Acesso em: 12 out. 2019.

– Robot Revolution & Industrial IoT Initiative (2019). The Background and Intent for Establishing the Robot Revolution Initiative. Disponível em: https://www.jmfrri.gr.jp/english/outline/establishment.html. Acesso em: 12 out. 2019.

– SCHWAB, K. A Quarta Revolução Industrial. Tradução de Daniel Moreira Miranda. São Paulo: Edipro, 2019.

Foto - Gabriella Quinelato AbeGabriella Quinelato Abe

Graduanda em Relações Internacionais pela Universidade São Judas Tadeu (USJT). Possui interesse de pesquisa nos seguintes temas: Política Externa, Política Externa Brasileira, Integração da América Latina e Desenvolvimento Sustentável.

Contato: gabiabe22@gmail.com

Publicado por:Colaboradores