A Globalização promoveu uma maior integração entre os atores internacionais além de um amplo desenvolvimento em diversas áreas. Porém também são muitas as suas ambiguidades e paradoxos fruto do atrito cultural e do aumento da competitividade internacional.

Passamos por um momento disruptivo do cenário geopolítico, onde uma série de desafios colocam em risco tudo o que foi conquistado desde a II Guerra Mundial, gerando a necessidade de repensar e redesenhar se preciso todo o sistema e suas organizações.

Embora o panorama atual seja marcado pelos paradoxos do processo da globalização, falar de uma regressão do mesmo continua sendo mais uma falácia movida por paixões ideológicas que uma realidade, pois o grau de integração atual gerou uma dinâmica complexa onde até mesmo atores ou países com menor inserção no sistema internacional acabam de certa forma participando do mesmo.

Pois a financeirização gerou uma crescente interdependência dos atores internacionais, onde mesmo que um ator não se relacione diretamente com outro, acaba sendo conectado pelo próprio sistema. Um exemplo simples que pode explicar esse fenômeno é o fato de que os países possuem diversas relações e acordos comerciais, e mesmo que um país não negocie com outro, um terceiro país – que negocia com os dois primeiros – acaba servindo de ponte nessa relação triangular. Não existe forma de escapar da globalização, quanto a fenômeno, econômico, produtivo, social, tecnológico e humano. Ainda que sem dúvidas é necessário avaliar e discutir os paradoxos do processo.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é o marco no qual se desenvolve essa reflexão do processo de globalização. Uma quarta revolução industrial está em andamento.

A Industria 4.0 promete modificar profundamente o sistema produtivo e as relações humanas, sendo por um lado uma oportunidade de gerar uma verdadeira mudança nos paradigmas internacionais que aflige a humanidade e por outro lado representando uma ameaça real pelo potencial devastador que possui. Em ambos casos a adaptação é necessária e a capacidade de resposta de cada um dos atores internacionais irá definir o equilíbrio de poder nesse novo cenário.

As transformações que ocorrem no cenário internacional provocam diversas reações e o ressurgimento de manifestações políticas e sociais quase esquecidas. Em momentos críticos a humanidade parece temer avançar e prefere o conforto de regressar a um passado já superado, reforçando ciclos avanço e regresso visíveis ao longo da história.

Mas o cenário atual – embora mantenha certa semelhanças com outros episódios históricos – possui fatores únicos, tais como o avanço da tecnologia, a financeirização e integração internacional.

Atualmente o isolacionismo já não é uma opção, e mesmo que alguns países desejem conservar os benefícios da globalização limitando o processo e reduzindo sua participação, deverão enfrentar severas consequências internas e externas, já que nenhuma nação possui o grau de autonomia necessário para se isolar do mundo globalizado.

Esse unilateralismo defendido por movimentos conservadores que eclodem no mundo inteiro, pode significar o suicídio de um Estado em plena transformação da globalização e em plena quarta revolução industrial.

Bibliografia:

A quarta revolução: A corrida global para reinventar o Estado

John Micklethwait, ‎Adrian Wooldridge

Chomsky on Democracy & Education

Noam Chomsky, ‎Carlos Peregrín Otero

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.