Nas últimas décadas o panorama internacional foi marcado por movimentos de integração e pelo aumento das relações e interdependência entre as nações.

A chamada Era Multipolar teve na globalização um dos seus principais vetores, levando a humanidade a um patamar desconhecido de desenvolvimento e crescimento além do surgimento de uma consciência global reforçada pela existência de uma comunidade e uma opinião pública internacional.

Mesmo existindo diferentes formas de governo e sistemas econômicos, o sistema capitalista se consolidou como modelo global e a integração financeira entre os países ficou cada vez mais profunda.

A medida que se intensificou o contato entre as nações, também aumentou o atrito entre elas, gerando pontos de tensão e instabilidade que aos poucos foram afetando a sincronia do panorama internacional.

Em 2008 a Crise Financeira colapsou a economia mundial e colocou em evidência o próprio sistema.

Diferente de outras crises pós-milênio, 2008 marcou o início de uma nova Era de Mudanças e de uma nova configuração no panorama internacional.

Quase 10 anos depois do início da crise, seus efeitos continuam moldando o cenário geopolítico.

Na Europa continuam as transformações que começaram com a crise e que hoje ameaçam  a continuidade do bloco e a estabilidade da região.

Nos Estados Unidos, Donald Trump chegou à presidência após promessas de retomar uma realidade difícil de emplacar.

A China luta por consolidar o eixo do Pacífico e busca aumentar sua influência aproveitando a ausência ou a instabilidade das grandes potências.

Discursos nacionalistas e conservadores ganharam força em todos os continentes, há um populismo saudosista que busca desesperadamente regressar  um passado que já não existe, mas que atrai milhões de votos e seguidores.

2017 se apresenta como o ápice das mudanças que vem ocorrendo no planeta desde 2008. A reconfiguração do cenário internacional deve alcançar seu ponto crítico, com as eleições na Europa e o novo mapa político da região, os primeiros meses da nova gestão americana, o realinhamento da América Latina e as mudanças previstas no partido comunista chinês.

É difícil prognosticar qual será o mapa político no final de 2017, pois são muitos os fatores que influenciam na configuração do poder e na divisão do mesmo. As ações de determinados atores podem modificar todo o alinhamento de uma região e até mesmo o equilíbrio global.

Seja como for, este ano será a conclusão de uma Era de Mudanças e sem dúvida alguma os acontecimentos previstos ao logo deste irão ditar os movimentos internacionais para a próxima década.

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.