O novo milênio deveria ser uma era de prosperidade, paz, grandes avanços tecnológicos e desenvolvimento ou o menos essas eram as projeções que dominavam a mídia e a academia no final do século XX.

Existia a crença de que o mundo multipolar e a globalização promoveriam uma maior harmonia no cenário internacional gerando uma nova consciência global formada pelas múltiplas dimensões que compõem a realidade dos diversos países. Isso faria com que a balança de poder fosse mais equilibrada e a humanidade pudesse se concentrar em novos desafios tais como o aquecimento global e os problemas humanitários.

Mas o século XXI tem se caracterizado por ser mais um período de questionamentos do que respostas. O atrito intercultural gerou uma série de frentes que dividem o mundo e a falta de um líder ou superpotência capaz de guiar a comunidade internacional, promoveu o crescente estado de anomia do cenário internacional onde a interdependência das nações potencializa a fragilidade de um sistema econômico e político que começa a mostrar suas mazelas, e grandes paradigmas começam a aflorar sob o risco de gerar confrontos e aumentar as tensões.

Por outro lado, as pessoas jamais tiveram tanto acesso a informação e tampouco estiveram tão expostas a outras visões de mundo e outras formas de percepção da realidade.  As movimentações sociais são o reflexo de um mundo que busca respostas aos paradigmas cada vez mais evidentes e que moldam o panorama atual.

As sociedades como base fundamental das nações começam a questionar os elos existentes na estrutura de poder e como o mesmo é formulado e implementado.  Minorias começam a lutar pelos seus direitos impelidos por mudanças conquistadas seja por outros grupos ou em outros cenários.

O Leviatã está vivo e em pleno processo de autoconhecimento, como se a humanidade houvesse alcançado finalmente a puberdade e agora luta para compreender os processos que formam sua própria existência. Conceitos antes consolidados são questionados, novas dúvidas e conflitos surgem. O pacto social é flexibilizado, dilatado ou interrompido pela falta de legitimação das pessoas. O mundo está mudando e a sociedade está assumindo o seu papel de arquiteto dessas alterações.

Essas mudanças ocorrem no mundo inteiro sejam elas políticas tais como a abertura de países como a Cuba e o fim das restrições que pairam sobre a ilha; Econômicas como o aumento do poder de compra da China e a criação de uma cultura de consumo em um país de matriz comunista; biológica, tais como o envelhecimento da União Europeia; Civis como a busca por direitos da comunidade LGBT ou das mulheres, etc.

Tudo indica que será a sociedade quem irá moldar o século XXI e não somente a ação isolada dos estados.  Embora ao se tratar de um processo em andamento é necessário ir com cautela e avaliar quais são essas mudanças, os fatores que compõe esses movimentos e os possíveis impactos que podem gerar.

Por este motivo o NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar de Relações Internacionais convida a todos a participar do nosso novo ciclo de estudos “Mudanças Sociais no panorama internacional” cujo objetivo é analisar, estudar e pesquisar os diversos processos sociais em andamento e como o panorama internacional está sendo questionado, moldado e transformado através da sociedade. Como as esferas de poder reagem em relação a essas mudanças e como os fatores que compõe a estrutura de poder absorve essas reivindicações.

Convidamos a todos a participar dessa discussão e juntos construir conhecimento ao lado de pesquisadores, investigadores, colaboradores e autores que estudam o tema.

Bons estudos!

Bibliografia básica

ALONSO, Angela. A Teoria dos Movimentos Sociais: Um balanço do debate.

WENDT, Alexander. Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics. International Organisation 46 (1992), pp. 391-426.

________. Collective identity formation and the international state. American Political Science Review 88 (1994), pp. 384-396.

WALKER, Robert B.J. Social movements/world politics. Millennium: Journal of International Studies 23 (1994), pp. 699-700.

Texto complementar:

ANIEVAS, Alexander. Critical dialogues: Habermasian social theory and international relations. Politics 25 (2005), pp. 135-144.

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.