No começo de abril de 2016, os exércitos de Armênia e Azerbaijão entraram em conflito na região de Nagorno-Karabakh, dando continuidade a um conflito que se iniciou após a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (da qual ambos faziam parte), e pondo fim a um cessar-fogo de mais de 20 anos.

Escreverei uma série de artigos para contar um pouco da história desses dois países e seus povos e tentarei explicar a atual situação geopolítica regional (Cáucaso) e o jogo de interesses por trás desse conflito.

História do Azerbaijão

O Azerbaijão é um país localizado na região do Cáucaso (ou Caucásia) e faz fronteira com o Mar Cáspio ao Leste, Rússia ao Norte, Geórgia ao Noroeste, Armênia e Turquia a Sudoeste e Irã ao Sul. Sua população é formada por povos de diversas etnias, sendo a mais populosa os Azeris (de onde vem o nome do país), um povo de origem turcomana.

O território do atual Azerbaijão foi alvo de diversas invasões, migrações e consequentemente distintas influências políticas e culturais. Já fez parte do império grego de Alexandre, o Grande e também foi parte do império Romano, mas a maior parte de sua história o país esteve sob influência Persa, até o Império Russo voltar seus olhos para a região do Cáucaso a partir do fim do século XVIII.

A história do país tem mais de cinco mil anos. Os primeiros Estados organizados surgiram na região o Azerbaijão entre quatro e três mil anos antes de cristo e tiveram grande influência político-militar na região com laços próximos aos Sumérios, Ácadianos e Assírios da região da Mesopotâmia.

Foi parte do Império Selêucida de origem grega, criado após a morte de Alexandre o Grande. No início da Era Cristã, a região foi parte dos reinos da Armênia e da Albânia até toda a área ser controlada pelo Império Sassânida (último Império Persa pré-islâmico) a partir do século III. A partir do século VII foi invadido e controlado pelos árabes após a conquista muçulmana da Pérsia, que trouxeram o islamismo para a região (antes sob influência do cristianismo e zoroastrismo e crenças tradicionais) juntos com as populações iranianas e árabes que migraram para a área.

A introdução do islamismo trouxe grandes mudanças, unindo os povos de etnia turcomana e não-turcomanos em torno de uma tradição, língua e na luta contra seus vizinhos cristãos da Geórgia, Armênia, e principalmente o Império Bizantino.

A partir do século IX ressurge o sistema político na região unida pelo islã e surgem novos estados dinásticos de diversas origens étnicas: Sajis, Shirvanshakhs, Salaris, Ravvadis, Shaddadis.

Na segunda metade do século XI, duas tribos turcomanas da Ásia Central os Seljuks e Oghuz invadem a área acabando com o domínio árabe e trazendo sua língua e cultura, sendo responsáveis por dar as características básicas da cultura do país. O período entre o século XI e XIII pode ser considerado uma era de ouro da cultura e artes país.

No século XIII os Mongóis invadem o Azerbaijão e a Pérsia e tomam o controle da região.  No século XVI a dinastia Safávida de origem azeri e curso consegue o poder na Pérsia e governa de 1502 a 1722, lutando contra os ataques do Império Otomano até os russos resolverem expandir seu império nesta direção.

Com a queda do Império Safávida, na segunda metade do século XVIII o território do Azerbaijão se dividiu em diversos pequenos canatos e sultanatos. No final do século a dinastia Gadzhars (ou Gajars que ficou no poder entre 1796-1925), de origem azeri, toma o poder da Pérsia e começa a tentar anexar todo o território do antigo império.

Enquanto isso o império russo vinha expandindo seu poder na região do Cáucaso e o norte do Azerbaijão. As guerras travadas entre os russos e os persas para o controle da região terminaram no início do século XIX com a assinatura dos tratados de Gulistão (1813) e Turkmanchay (1828) que estabeleçam a fronteira entre os dois impérios na região, com o norte do que hoje é o Azerbaijão – sob controle dos russos e o sul comandado pelos persas.

Durante o quase todos o século XIX, a presença russa na região era muito pequena pois não havia nada de grande interesse econômico a ser explorado. Com a descoberta de petróleo na região (o primeiro poço de petróleo do mundo foi furado na região em 1848), a área ganhou importância econômica e a presença russa começou a crescer.

Foi também nessa época que o Império Russo decidiu povoar a região montanhosa de Karabakh e assim como nas regiões de Iravan e Nakhchivan com colonos cristãos da Armênia. Os armênios ganharam importância e poder agindo como mercadores e representantes imperiais.

No início do século XX, mas precisamento no ano de 1905, as tensões sociais entre as duas etnias acabam em uma revolta azeri pelo controle do poder local (na mão dos armênios) e contra o domínio russo. Esse foi o primeiro conflito aberto entre essas duas populações.

Já em 1918, com a queda do Império Russo e apoio dos turcos a população azeri consegue tomar o poder e declarar a parte norte do país uma república independente, a Republica Democrática do Azerbaijão, que durou somente até 1920, quando o país é invadido pelo Exército Vermelho.

Referência Bibliográfica

CURTIS, Glenn E. (Glenn Eldon) – Library of Congress. Federal Research Division, 1995, Whasington, DC, EUA.

http://www.azerbaijan.az

http://www.heydar-aliyev-foundation.org/en

Publicado por:Lourenço Weber

Formado em Ciências Sociais, com especialização em Política e Relações Internacionais, escrevo sobre temas como política externa, segurança e defesa, diplomacia, economia e geopolítica.