“Olho por olho é acabaremos todos cegos” Mahatma Ghandi.

 

Ainda ecoa entre os muros do Bataclan o grito assustado e os brados de pânico das vítimas dos ataques terroristas de Paris. E antes mesmo de que a Europa pudesse se recuperar uma nova onda de ataques abala a capital da União Europeia e ameaça com aumentar o extremismo de ambos os lados.

O mundo ecoa ódio e a cada agressão uma reação igual de pérfida é plantada no coração das pessoas.

Virou moda odiar: sejam imigrantes, negros, índios, gays, transexuais, cristãos, muçulmanos, entre outras minorias. Sendo esse sentimento de ódio, no fundo, a base de todos os problemas que hoje abalam ao mundo e que permanece devido a nossa incapacidade de reconhecer que todo ódio é ruim. É preciso reconhecer que não existe um lado justificável, que a lei do talião pode aplacar nossa sede de justiça ou vingança, mas que ao mesmo tempo aumentará nossas diferenças e multiplicará nossos problemas.

A tragédia que aconteceu na Bélgica e que anteriormente abalou a França, Espanha, Estados Unidos, Tunísia, Turquia, Etiópia, Indonésia, Síria. É o eco do nosso ódio. Uma denúncia abrasiva de um acumulo de problemas de integração social, diálogo intercultural e inter-religioso, desigualdade social e econômica, que dividiu o mundo e que segue fragmentando a sociedade. Pois em lugar de gerar uma globalização como base na diversidade do mundo, criamos um modelo de supremacia mundial predatório e quimérico, onde o atrito cultural gera faíscas e fogos.

Somos sensíveis a desgraça de algumas pessoas, mas permanecemos inertes frente a milhões de crianças que morrem de fome diariamente, centenas de famílias que morrem afogadas nas gélidas aguas da Europa, ou vítimas de atentados igualmente terroristas, mas em cidades menos cosmopolitas ou de países menos conhecidos.

Nossos líderes são arautos dessa apatia mundial, desse cenário de guerra e competição eterna, onde muros são levantados e leis são forjadas para separar as pessoas dentro da escala de ódio que socialmente construímos.

“As pessoas devem ser como nós ou então elas são contra nós” parece ser o único consenso que rege o mundo atual e isso só aumenta mais a tensão, é como lenha jogada ao fogo.

Certo é que chegado ao extremo do ódio o diálogo já não é mais possível… aqueles jovens que foram aliciados pelo terrorismo já tiveram a semente da raiva plantada há muito tempo e agora não é possível colher outra coisa que não seja ódio. Porém esse ciclo um dia deve parar.

Não podemos semear como resposta ao terrorismo o ódio contra os muçulmanos, refugiados ou imigrantes… pois isso não é fazer frente a eles e ao ódio deles, mas sim atuar exatamente como eles desejam que é ter sua guerra entre culturas declarada.

O ódio se destila através do medo e da ignorância, se buscamos eliminar o problema usando a mesma fórmula, estamos condenados ao fracasso. Pois a ignorância gera a discriminação e está a proibição ou a marginalização, sendo esta última um terreno fértil para o rancor e o ódio. Não importa o grupo, etnia, orientação sexual, gênero… a incompreensão e a não aceitação é a causa dos principais males.

Só o conhecimento e o diálogo pode eliminar esse ciclo ou continuaremos todos cegos e nosso próprio mundo e ódio e separação.

Je suis Belgique.

Bibliografia

Voltaire, Traité sur la tolérance. L&PM, 2008

GANDHI, Mohandas Karamchand. As palavras de Gandhi. Rio de Janeiro: Record, 1984

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.

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