A imprensa surgiu como uma ferramenta de divulgação e informação, sendo sem dúvidas um dos principais fatores que permitiram a difusão de conhecimentos e notícias além da democratização da informação.

A mesma se transformou no principal veículo informativo do mundo por sua contínua atualização e rápida distribuição, se adaptando aos novos meios de comunicação e a evolução das telecomunicações, se convertendo no que hoje denominamos mídia.

Usada também como uma poderosa ferramenta governamental a mídia se transformou não somente em um meio informativo como também em um importante formador de opinião, chegando a ser considerada por muitos como o 4º poder.

Com a globalização o número de informações disponíveis e a velocidade da mesma aumentaram consideravelmente e hoje podemos saber o que acontece a qualquer momento em qualquer região do planeta de forma simultânea.

Por outro lado, as transformações no cenário internacional e o aumento da multipolaridade foram reforçando a importância do discurso por parte dos atores internacionais na manutenção do poder e equilíbrio internacional. Tanto Estados e organizações internacionais como ONG e outros atores utilizam a mídia como uma ferramenta de trabalho, sendo esta uma forma de soft power capaz de influenciar as tendências e até mesmo a dinâmica existentes no cenário global.

Embora em cada país exista uma realidade midiática diferente, a internacionalização dos meios de comunicação e a geração de grandes monopólios da informação aos poucos foram homogeneizando essa realidade. Redes de televisão, jornais, portais da internet, agências de notícias estão cada vez mais inter-relacionados gerando uma grande rede informativa.

O grande problema derivado dessa padronização fruto da globalização e da consequente fusão de empresas é a perda da diversidade e da qualidade das informações transmitidas. Pois hoje grande parte dos veículos informativos não só transmitem a informação como realizam uma exposição conforme sua percepção produzindo o doutrinamento em relação ao mesmo e criando dessa forma consensos gerados sob a ótica de poucos, mas que se fundamentam a grande escala.

A geração de monopólios mediáticos promoveu uma transformação da informação, que passou de ter um caráter informativo, para adquirir um caráter expositivo, em que os interesses de um determinado grupo são representados, seja este o Governo ou o setor privado.

O recente desenvolvimento de alguns países aumentou ainda mais a complexidade da realidade mediática, pois surgiram novos atores no cenário internacional que por vezes se alinhavam as tendências ditadas pela grande mídia – como por exemplo o canal Al-Jazera – ou que desenvolveram sua própria rede informativa como no caso da Rede Globo do Brasil para depois atuar em esfera mundial ou ser absorvidos pelos grandes players.

Essa transformação da mídia como veículo de transformação e formação de opinião gerou uma polarização internacional em relação às principais potências e embora nunca tenha existindo tantos canais, revistas ou jornais pelo mundo, todos se abeberam de um limitado grupo de agências de notícias ou de grandes monopólios localizados nos centros de poder do mundo.

Reuters, EFE, BBC, FOX entre outras, são agências e redes internacionais das quais o resto do mundo adquire grande parte de sua informação. Essa centralização da informação reduz as possibilidades de interpretação e empobrece os diálogos necessários para o avanço da humanidade.

Os meios que não pertencem ou utilizam esses grandes monopólios acabam sofrendo as consequências, tendo constantemente julgada sua credibilidade ou sua utilidade.

A opinião da população está formada em grande parte pela exposição das informações transmitidas pela grande mídia. De modo que se uma agência internacional transmite um fato o mesmo parece ser incontestável, não havendo muito espaço para discutir sobre o mesmo. Isso acontece tanto a escala internacional quanto a local.

Cientes desse poder, grandes grupos midiáticos ligados ao fluxo financeiro global – tais como o grupo japonês Nikkei – aumentam sua atuação na mídia internacional adquirindo importantes publicações como o Financial Times (principal jornal americano de finanças e economia comprado pelo grupo Nikkei) e o The economist (principal jornal britânico do setor).

Afinal, a informação na era da globalização se transformou na principal commoditie, especialmente perante a falta de uma diretriz global ditada por uma superpotência mundial – quem possui o controle da informação que circula pelo mundo, pode ditar ao mundo como atuar – o que transformar a informação em uma arma poderosa que se alimenta da própria inércia da globalização e do enfraquecimento dos atores clássicos.

O valor da informação é tão elevado no mundo globalizado que empresas que não produz nenhum tipo de bem estão entre as maiores do mundo, tais como a Google ou o Facebook. Aqueles que detêm o controle dos meios de comunicação podem ditar ao resto sua interpretação do mundo e dos fatos, e ao se tratar de um grupo cada vez menor – mesmo com a grande diversidade de veículos informativos, a informação que circula e os consensos gerados a partir dela são cada vez mais limitados a concepção que esse monopólio da informação possui. Isso explica porque somos mais sensíveis a uma tragédia que ocorre na França e permanecemos inertes frente as tragédias diárias que ocorrem em regiões da África ou até mesmo em nossa comunidade local.

Bibliografia

Para Entender o Poder – O Melhor de Noam Chomsky (Bertrand Brasil, 2005)

“A Threat to Freedom and Survival,” Noan Chomsky 2012

Imagem: http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2014/12/regulacao_midia.jpg

Publicado por:Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.