Robert Putnam, autor da teoria sobre os “ Jogos de dois níveis”, se baseou na teoria sobre negociações entre Estados nacionais, o que se fixou como uma visão clássica na Política Externa.

De forma profunda, traçou as respectivas negociações entre as nações, atrelando as políticas interna e externas, sendo que toda e qualquer decisão tem por escopo a análise em sua raiz, nos dois níveis, sem exceções. Trouxe ele a subdivisão entre o denominado “Jogos de dois níveis” em “Jogo de nível I” aquele em que se baseia em causas chamadas domésticas que refletem em consequências internacionais e também no denominado “Jogos de nível II”, aquele que se baseia em causas chamadas internacionais, que refletem em causas domésticas, enfim é por analogia, um jogo jogado no tabuleiro de xadrez em que cada Estado nacional é considerado uma peça, como cada ente da sociedade também é considerado uma peça.

Assim, se pensarmos internamente veremos que tal ambiente seria a Sociedade Civil Organizada, trazendo como exemplos, empresas, Terceiro Setor, Partidos Políticos e se pensarmos externamente, veremos que tal ambiente seriam os Estados nacionais, grandes Corporações, Multinacionais e grandes Organizações, todos funcionando como peças, prontas e estáticas aguardando o comando para a locomoção, dando inicio ao jogo, damos como exemplo clássico o de um Tratado Internacional que só pode ser assinado se o nível I, o ambiente interno, aprovar por votação popular ou parlamentar (como no caso do Brasil, pelo Congresso Nacional), caso ocorra se ratificará o devido Tratado, tornando-o vigente.

Embora nos jogos de dois níveis de Putnam se aplique o win-set, ou seja, significa que todas as peças, sejam do nível I ou do nível II, visam apenas a busca de vitórias que os beneficiem, como, por exemplo, no ambiente externo sempre se visa assinar um Tratado, ou um acordo, ou uma intervenção, se tiver algum tipo de benefício para se justificar a ratificação, onde neste tabuleiro, os Poderes do Executivo e do Legislativo, agem em conjunto com a aprovação pelas duas Casas do Congresso e posteriormente, sendo encaminhada por fim ao Chefe do Executivo, no caso o Presidente da República, para aprovar ou vetar a ratificação, este é o caso do Brasil.

Em vez apenas de aplicar o win-set, poderiam os Estados Nacionais aplicarem a vontade, o engajamento e a cooperação internacionais verdadeiros e desinteressados, em ganhos outros, além do Bem Comum e do desenvolvimento fraterno e harmonioso dos povos e da civilização. Os únicos obstáculos existentes no momento, e que a tornam pouco provável ou improvável, são justamente as faltas dos três fatores mencionados (vontade, engajamento e cooperação). E isso pode e deve ser mudado (COLOMBO; 2013).

Vejamos como exemplo os ataques recíprocos entre o Estado Islâmico (ISIS) e as grandes potências do Ocidente, como (Estados Unidos da América, Inglaterra e França), bem como a grande nação do Oriente, a Rússia, em nome do poder e da religião, tentam se expandir através dos meios mais insidiosos e cruéis, ou seja, pela guerra e com violência exacerbada, basta analisarmos os últimos ataques na Turquia, no Líbano, na França e no avião russo, ocasionando um número de centenas de inocentes mortos, sem opção de escolha, que pagaram com a própria vida em nome de desejos internos e externos acéfalos.

Nesse contexto, as guerras se multiplicam no planeta e são cada vez mais caracterizadas por seus componentes étnico-religiosos. Por toda parte, a ordem cívica regride […]. A barbárie odiosa oriunda do fundo das eras históricas se combina com a barbárie anônima e hostil da técnica própria a nossa civilização (MORIN; 2011).

Portanto, a que se ter um consenso interno e externo para agirem as nações com vontade, engajamento e cooperação, para juntas tomarem a decisão dentro de um processo racional e justo, sem visualizarem o win-set apenas, mas sim aquelas que se encontram em maior dificuldades sociais, assim se evitam conflitos e embates armados, que resultam em morte daquele que é o mais desprovido de segurança em nome de uma realidade que não concordava espontaneamente, como é o caso do ISIS, que age com o terror perante aos humildes para que estes se sub-roguem as suas vontades próprias, em nome de um islamismo radical, diferente do prega o islamismo tradicional.

Ai devem as nações terem consenso e bom-senso no momento oportuno, com a prática das políticas interna e externa, muitas vezes não há necessidade de se projetar poder e sim de projetar vontade, engajamento e cooperação, pois se apenas visualizarem o aspecto social daquele que necessita, irá projetar com tal prática a compaixão, o que irá transformar tal Estado nacional ainda que poderoso e forte, em um digno Estado nacional de respeito, mas não um respeito ao seu soft power ou ao seu hard power, mas o respeito ao ser humano, ou especificamente a raça humana, a quem realmente conduz o presente e o futuro do planeta.

Referências

. PUTNAM, Robert. “Diplomacia e política doméstica: a lógica dos jogos de dois níveis”. www.scielo.br

. COLOMBO, Caio. “Direito, Guerra e Paz”. RG Editora, ano 2013.

. MORIN, Edgar. “Rumo ao abismo?: ensaio sobre o destino da humanidade. Rio de Janeiro. Editora Bertrand Brasil, 2011.

Publicado por:Edney Abrantes

Bacharel em Direito pela UMC, Advogado OAB/SP. 178.856, Membro da Comissão de Meio-Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB/SP, Subsecção São Vicente/SP, Consultor Político formado pela MANHANELLI ASSOCIADOS, Cientista político pela FESP-SP, especialista em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP, Associado ao Núcleo de Estudos em Relações Internacionais NEMRI da FESP-SP, Pesquisador registrado no CNPQ, Mestre em Gestão Ambiental pelo Instituto Iberoamericano, e Mestrando em PMICH em Sociedade, Comunicação e Política, pela UNISA, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral pela USP, especialista em Direito Processual pela UNISANTOS, MBA em Direito Empresarial na Strong/FGV.