No último mês o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Rodrigo Londono mais conhecido como Timochenko, apertaram as mãos em Havana. O gesto mais do que histórico pode ser um sinal de que finalmente a sociedade colombiana terá sua redenção – quase que completa já que o governo ainda precisa negociar com a guerrilha ELN.

Após quase três anos de conversas mediadas pelo presidente cubano Raúl Castro, o desmantelamento da guerrilha e o acordo final de paz está previsto para o dia 23 de março parecem iminentes. Antes destas últimas negociações, para milhões de colombianos parecia impossível por fim ao conflito que já deixou mais de 220 mil mortos, 5,7 milhões de deslocados e 30 mil sequestrados (Governo da Colômbia, 2015).

A tarefa mais complicada para Manuel Santos é a negociação das anistias para os crimes cometidos pela guerrilha. A comissão do governo precisa chegar até um ponto de equilíbrio em que a sociedade não se considere chantageada e que os guerrilheiros sintam-se beneficiados o suficiente para parar de lutar. Até agora o que ficou acertado é que os dois lados formarão uma comissão da verdade e chegarão a um senso comum sobre as reparações para as vítimas de guerra e anistia para os combatentes, mas não para os que cometeram crimes de guerra.  Neste sentido, a posição do Tribunal Penal Internacional é de otimismo. Contudo, a Organização Não Governamental Observatório dos Direitos Humanos (Human Rights Watch, em inglês) criticou os termos que já foram adiantados no mês passado e classificou que como lamentável a possibilidade de guerrilheiros se livrarem da prisão.

Mesmo com detalhes fundamentais ainda sendo negociados, as conversas em Havana refletiram, inclusive, na redução do número de colombianos que buscavam refúgio em outros países. Desde o início das negociações, as Farc decretaram o cessar-fogo unilateral por seis vezes. A última trégua, a mais longa de todas, está em vigor desde julho deste ano. Somado a isso, o presidente Santos determinou a suspensão dos bombardeios contra posições da guerrilha. De acordo com o Centro de Recursos para el Análisis de Conflictos (CERAC), em julho a Colômbia viveu o mês com menos ações violentas relacionadas ao conflito armado desde 1974.

Com a redução da escala do conflito, houve a queda da pressão sob os povoados das áreas dominadas pela guerrilha. Os efeitos puderam ser sentidos, inclusive, no Brasil, que é um dos países acolhedores dos deslocados. Os colombianos já chegaram a ser a principal nacionalidade dos refugiados que vivem no Brasil, porém em julho de 2014 o número foi ultrapassado pelos refugiados sírios, chegando a  1.263 (ACNUR, 2014). O número de pedidos de refúgio também diminuiu devido a adesão da Colômbia ao Acordo de Residência do Mercosul.

No cenário externo, os Estados Unidos comemoram os  avanços das conversas, pois a Colômbia é um dos aliados mais próximos na América Latina. Nas últimas duas décadas, os americanos entraram no país para combater a exportação de cocaína e ajudar a combater o rei do tráfico Pablo Escobar. Depois, o governo americano deu início ao Plano Colômbia, implantado em 2000, que também tinha como objetivo o combate ao narcotráfico, mas no fim das contas acabou servindo para ajudar  no combate a guerrilha. Os ataques aéreos somados ao fornecimento de armas para o exército colombiano resultou na morte de importantes líderes das Farc. Embora as  ações tenham resultado também na redução do cultivo da folha de coca – perda de cultivo que acabou sendo compensada pelos cartéis com o uso de  plantas de melhor produtividade e mais resistência. Nos últimos 14 anos, os americanos gastaram mais de US$ 10 bilhões com o Plano Colômbia (BEITTEL, 2015).

As preocupações do governo americano são com os membros das Farc que não estariam interessados em seguir as diretrizes de um possível acordo de paz. Trata-se principalmente da parcela que atua com o tráfico de drogas e a mineração ilegal. Da mesma maneira que os guerrilheiros são mais propensos a seguir as ordens do secretariado do que os mais jovens, que vivem em áreas rurais remotas com suas próprias ideias. (BEITTEL, 2015).

Washington vê com cautela o prazo de seis meses para redigir um documento final. Desde o anúncio das negociações de paz formais, o governo de Barack Obama tem feito várias declarações de apoio ao processo, mas sempre deixando claro que os Estados Unidos não tem um papel direto nas conversas.

No Brasil, a posição é mais tímida. O Ministério da Defesa está atento com os desdobramentos do acordo. Em visita neste mês à Colômbia, a presidente Dilma Rousseff afirmou que espera celebrar o acordo de paz com as Farc durante as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.  

Diante de um prazo apertado, o governo colombiano montou uma grande estrutura de comunicação e divulgação do andamento das conversas. Cada desdobramento positivo é compartilhado nas redes sociais por personalidades do país que têm grande apelo com a população. Comissões do Alto Comissionado para a Paz têm ido às áreas rurais e feito assembleias com o objetivo de conversar com os moradores e preparar a região para o período do pós-conflito. Tudo indica que a redenção dos colombianos está cada vez mais próxima, porém um movimento inesperado de alguma das partes nos próximos seis meses pode adiar ainda mais a assinatura de um acordo de paz final.

DIÁLOGOS DE PAZ CON LAS FARC E LA REDENCIÓN DE LOS COLOMBIANOS

En el último mes el presidente colombiano Juan Manuel Santos y el líder de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia, Rodrigo Londono, conocido como Timochenko, apretaron las manos en Habana. El gesto más que histórico pude ser una señal de que finalmente la sociedad colombiana tendrá su redención – aunque el gobierno aún deba negociar con la guerrilla ELN.

Después de casi tres años de conversación mediadas por el presidente cubano Raúl Castro, el desmantelamiento de la guerrilla y el acuerdo final de paz está previsto para el día 23 de marzo parece inminente. Antes de estas últimas negociaciones, para millones de colombianos parecía imposible poner fin al conflicto que ya dejo más de 220 mil muertos, 5,7 millones de desplazados y 30 mil secuestrados (Gobierno de Colombia, 2015).

La tarea más complicada para Manuel Santos es la negociación de las amnistías para los crímenes cometidos pela guerrilla. La comisión del gobierno precisa llegar hasta un punto de equilibrio en que la sociedad no se considere chantajeada y que los guerrilleros se queden beneficiados el suficiente para parar de luchar. Hasta ahora lo que quedó acordado es que los dos lados formarán una comisión de la verdad y llegarán a un censo común sobre las reparaciones para las víctimas de la guerra y amnistía para los combatientes, pero no para los que cometieron crimines de guerra.  En este sentido, la posición del Tribunal Penal Internacional es de optimismo. Pero, el Observatorio de Derechos Humanos (Human Rights Watch, en inglés) criticó los termos que ya fueron adelantados en el mes pasado y llamó de lamentable la posibilidad de guerrilleros no ir a la cárcel.

Mismo con los detalles fundamentales aun siendo negociados, los diálogos en Habana reflejaron, incluso, en una reducción del número de colombianos que buscan refugio fuera del país. Desde el inicio de los diálogos, las Farc decretó el cese del fuego unilateral por seis veces. La última tregua, la más larga de todas, está en vigor desde julio de este año. Sumado a eso, el presidente Santos determinó una suspensión de los bombardeos contra posiciones de la guerrilla. De acuerdo con el Centro de Recursos para el Análisis de Conflictos (CERAC), en julio Colombia vivió el mes con menos acciones violentas relacionadas con el conflicto armado desde 1974.

Con la reducción de la escala del conflicto, hubo la caída de presión sobre las poblaciones de las áreas dominadas por la guerrilla. Los efectos pudieron ser sentidos, incluso, en Brasil, uno de los países acogedores de desplazados. Los colombianos ya llegaron a ser la principal nacionalidad de refugiados que viven en Brasil, pero en julio de 2014 el número fue superado por los refugiados sirios, llegando a 1.263 de colombianos (ACNUR, 2014). El número de pedidos de refugio también cayó debido a la adhesión de Colombia al Acuerdo de Residencia del Mercosur.

En el escenario externo, los Estados Unidos conmemoran los avances logrados, ya que Colombia es uno de los aliados más próximos en Latina América. En las últimas dos décadas, los estadounidenses entraron en el país para combatir la exportación de cocaína y ayudar al ejército a combatir el rey del tráfico Pablo Escobar. Después, el gobierno estadounidense empezó el Plano Colombia, en 2000, que también tenía como objetivo el combate al narcotráfico, que acabó sirviendo para ayudar en el combate a la guerrilla. Los ataques aéreos sumados con equipamiento para el ejército colombiano resultaron en la muerte de importantes líderes de las Farc. Aunque las acciones tengan resultado también en la reducción en el cultivo de hoja de coca – pérdida de cultivo que acabó siendo compensada por los carteles con el uso de plantas de mejor productividad y más resistencia. En los últimos 14 años, los estadounidenses gastaron más de US$ 10 mil millones con el Plano Colombia (BEITTEL, 2015).

La preocupación del gobierno americano es que los miembros de las Farc que no estarían interesados en seguir las directrices de un posible acuerdo de paz. Se trata principalmente de la parcela que actúa con el tráfico de drogas y la minoración ilegal. De la misma forma que los guerrilleros son más propensos a seguir las órdenes del secretariado que los mas jóvenes, que viven en áreas rurales remotas con sus propias ideas. (BEITTEL, 2015).

Washington ve con cautela el plazo de seis meses para redactar un documento final. Desde el anuncio de las negociaciones de paz formales, el gobierno de Barack Obama hizo varias declaraciones de apoyo al proceso, pero siempre dejó claro que los Estados Unidos no tienen un papel directo en las conversaciones.

En Brasil, la posición es más tímida, pero el Ministerio da Defensa está atento hacia los desdoblamientos del acuerdo. En visita este mes à Colombia, la presidente Dilma Rousseff dijo que espera celebrar el acuerdo de paz con las Farc durante las Olimpíadas de 2016, en Rio de Janeiro.  

Delante de un plazo tan apretado, el gobierno colombiano montó una grande estructura de comunicación y divulgación del andamiento de los diálogos. Cada desdoblamiento positivo es compartido en las redes sociales por personalidades del país que tienen grande llamamiento con la populación. Comisiones del Alto Comisionado para la Paz están en las zonas rurales para hacer asambleas. El objetivo es hablar con los moradores y prepararlos para el período del postconflicto. Todo indica que la redención de los colombianos está cada vez más próxima, pero un movimiento inesperado de alguna de las partes en los próximos seis meses puede aplazar más la firma de un acuerdo de paz final.

Imagem/Imagen :César Carrión – Governo da Colômbia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACNUR – AGÊNCIA DA ONU PARA REFUGIADOS. 2014. – Refúgio no Brasil: uma análise estatística – Janeiro de 2010 a Outubro de 2014. Acesso em 08.10.2015.

Disponível em: http://www.acnur.org/t3/fileadmin/scripts/doc.php?file=t3/fileadmin/Documentos/portugues/Estatisticas/Refugio_no_Brasil_2010_2014

BEITTEL, June S. – Congressional Research Service – Peace Talks in Colombia. 2015. Disponível em: https://www.fas.org/sgp/crs/row/R42982.pdf

Oficina del Alto Comisionado para la Paz. Governo da Colômbia. 2015. http://www.altocomisionadoparalapaz.gov.co/

Delegación de Paz das FARC-EP. 2015. http://www.pazfarc-ep.org/

Colômbia: O acordo de paz com as Farc e suas implicações para a segurança nacional. Ministério da Defesa. Governo do Brasil. 2015.

Disponível em: http://www.defesa.gov.br/arquivos/ensino_e_pesquisa/defesa_academia/cedn/xi_cedn/colombiaxiicedn.pdf

Publicado por:Derla Cardoso

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Com passagens pelo Grupo Bom Dia, New York Financial Press, Folha de S. Paulo e RedeTV! Atual editora de internacional na Band News TV. Concluindo em 2015 especialização em Relações Internacionais pela FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).