É fato notório que a matriz energética mundial, o denominado petróleo, (conhecido nos quatro cantos do planeta pela alcunha de “ouro negro”, figurativamente, comparando-o ao ouro por ser valioso tanto quanto), é a principal fonte energética primária do globo, com cerca de 30%, vindo na sequência o carvão e o gás.

Portanto, não há necessidade de se explicar o quanto esse recurso natural é relevante, basta vermos o quanto causa de impacto na economia de qualquer país, desde os grandes importadores como os Estados Unidos da América, a China e a Europa Ocidental, como também os grandes exportadores como a Arábia Saudita, Kwait e Emirados Árabes que não sofrem muitos prejuízos em suas economias, pois gastam muito pouco com o petróleo e ganham muito dinheiro com a exportação por serem consideradas grandes reservas globais.

Entretanto, o petróleo de prospecção de solo está se esgotando e é o meio mais barato de extração, daí surge o desespero em quase todos, levando-os a procurar outras formas de prospecção como no caso das areias betuminosas (em que se utilizam técnicas de mineração para transformar a pasta retirada em petróleo, como por exemplo, o Canadá tem esta prática), bem como a prospecção marítima, a prospecção do pré-sal e por fim, as prospecções em regiões muito geladas, como o exemplo da Rússia e sua saga na Sibéria, tendo por consequência que investirem horrores em novas tecnologias, como a Petrobras, que investiu pesadamente em tecnologias de águas profundas e principalmente, em tecnologias de prospecção no pré-sal, sendo considerada, inclusive, a maior autoridade do planeta neste tipo de extração de petróleo.

Ainda tem os Estados Unidos da América que estão desenvolvendo uma diferente forma de extração do petróleo armazenando naturalmente, nas rochas fixadas no subsolo, através da denominada extração hidráulica, com a técnica de fratura das rochas com o jato de altíssima potência, misturando produtos químicos, e fazendo com que esses elementos esfarelem as rochas liberando o petróleo e o gás, isto chama-se tecnicamente,  “fracking”.

Todos esses fatores são impactantes e levam a um efetivo conflito dos mais variados. Desde conflitos comerciais entre grandes corporações na busca por espaço global, como também conflitos entre nações na busca pelo poder que podem ser pelos mais variados motivos ligados ao setor, como aumento ou diminuição do barril de petróleo, suspensão de produção de petróleo, transportes do produto com preços elevados (estas podendo ser caracterizadas como guerra nos bastidores), bem como o conflito real e imediato da força, como foi no exemplo da “Guerra do Golfo” entre os Estados Unidos e o Iraque trazendo impacto internacional, outro exemplo é a crise na Ucrânia, que também teve grande repercussão internacional com o protagonismo da Rússia no cenário recente, haja vista a Ucrânia ter importante localização geográfica, pois está entre o Oriente e o Ocidente e tem o condão de transportar gás natural da Rússia para a União Europeia, sendo que o gás natural é muitas vezes encontrado em depósitos petrolíferos, por isto uma coisa está atrelada a outra.

Daí, surge a Alemanha (que possui um histórico negativo no que tange a conflitos hard power) e propõe uma nova busca de matriz energética, através da energia alternativa, se tornando atualmente, o país líder em escala global em soluções e eficiências quando se trata de energia limpa.

O país tem pretensões ousadas com a utilização da energia alternativa, por isto quer transformar a sua matriz energética interna oriunda de abastecimento de energia limpa, renovável e sólida, para tanto, investe pesado em uma das formas de energia denominada fotovoltaica que atualmente, cobre já 5% da demanda do país, com perspectivas de 10% para 2020 e 20% para 2030, conforme planejamento estratégico de governo, o maior exemplo já teve o seu início na cidade de Freiburg, onde está é considerada uma das cidades mais verdes do mundo, onde o Meio Ambiente e a Sustentabilidade são aplicados e efetivamente, a maioria das casas do município tem seus respectivos tetos de vidro que servem de captação da luz solar e a transformação desta em energia limpa, renovável e barata ajudando a compor o sistema.

O crescimento da produção de energia na Alemanha vem evoluindo bastante desde o ano de 2012, (mesmo que o investimento atualmente esteja saindo um pouco alto em termos financeiros, pois esses valores acabam saindo do bolso do consumidor final) vale a pena, até porque, no final, ao término dos empreendimentos, o custo será barateado e o consumidor terá um benefício enorme com as suas contas de energias elétrica diminuídas, além de reforçarem a defesa do Meio Ambiente e a conquista parcial da sustentabilidade, é o preço que se pagará pela mudança da matriz energética.

A real intenção da Alemanha na formulação de uma nova matriz energética é se livrar primeiramente, de sua principal fonte de energia atual, que é o carvão, a linita e a hulha, sendo que a extração de linita é considerada muito suja, poluente demais, e por ventura, este recurso é o que representa 25,8% do total da matriz energética alemã, levando-a ser a maior fonte de alimentação de energia do país e, além disso, o próprio carvão tem sua negatividade (quanto produto tóxico) mediante a Sustentabilidade, pois esse recurso natural emite dióxido de carbono em proporções altíssimas, sendo até uma contradição para uma nação que detém um discurso calcado na proteção do Meio Ambiente.

Referências:

. www.energiapura.com

. DW – Made for minds. Data de 03/01/2013.

.www.noticias.terra.com.br

Data de 14/01/2014, sob o título: “Carvão se mantém como a principal energia da Alemanha”.

Publicado por:Edney Abrantes

Bacharel em Direito pela UMC, Advogado OAB/SP. 178.856, Membro da Comissão de Meio-Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB/SP, Subsecção São Vicente/SP, Consultor Político formado pela MANHANELLI ASSOCIADOS, Cientista político pela FESP-SP, especialista em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP, Associado ao Núcleo de Estudos em Relações Internacionais NEMRI da FESP-SP, Pesquisador registrado no CNPQ, Mestre em Gestão Ambiental pelo Instituto Iberoamericano, e Mestrando em PMICH em Sociedade, Comunicação e Política, pela UNISA, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral pela USP, especialista em Direito Processual pela UNISANTOS, MBA em Direito Empresarial na Strong/FGV.