A Venezuela é sem dúvida um dos países mais potentes do mundo, no que tange ao quesito petróleo. Sua receita está totalmente atrelada à exportação de commodities de forma geral, ou seja, commodities de todas as categorias, mas que são turbinadas, principalmente, pelas commodities minerais, particularmente, o petróleo.

O petróleo é a força motriz da Venezuela, sendo um excelente soft power de produção energética. Sua receita chega a depender acerca de 96% da venda dessa mercadoria na forma bruta, sendo que isto gera impacto fenomenal na economia desse Estado nacional, tanto positivamente, (quando a exportação está em alta por causa do valor acessível do barril de petróleo), quanto negativamente, (quando a exportação está em baixa por causa do valor inacessível do petróleo), o que gera instabilidade frequente com as variações de mercado, refletindo no cerne da economia venezuelana.

Embora a Venezuela tenha reserva de petróleo fortíssima, segundo a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), tendo inclusive ultrapassado Estados nacionais tradicionalíssimos como exemplo, a Arábia Saudita, desde meados de 2.010 para cá, com a descoberta de novos pontos de extração do produto, é muito cômodo para qualquer governo que lá esteja administrando no momento, seguir a mesma cartilha de governos anteriores, sendo perda de tempo e falta de habilidade na condução da coisa pública, pois poderia aproveitar a possibilidade de expansão econômica em outras frentes (além das commodities) e desenvolver uma sustentabilidade ambiental mais equilibrada no campo social, no Meio Ambiente e etc., o que tornaria o país mais robusto no enfrentamento das dificuldades diárias.

A aposta em apenas a um nicho econômico, pode levar qualquer estado a perder força e pujança, pois se esse nicho enfraquecer ou passar por turbulências, a tendência é a queda parcial e se realmente chegar ao colapso, à queda poderá ser total, inserindo a problemas profundos a espinha dorsal do país, atingindo por consequência a outra ponta do sistema, ou seja, a sociedade que é o sustentáculo de qualquer nação o que pode levar a conflitos nada agradáveis contra o governo, através de manifestações, muitas delas violentas basta vermos as últimas crises sociais ocorridas na Venezuela, em que o povo foi às ruas por falta de produtos básicos do cotidiano, como papel higiênico, manteiga e etc., que resultou inclusive a invasões em supermercados do país, levando o governo Nicolás Maduro e emanar um Decreto para a instauração de um mecanismo “biométrico”, no intuito de limitar a compra de mercadorias para a população evitando que a crise se alastrasse.

Quando a crise venezuelana despontou e o país ficou travado, sem possibilidade de avançar e seguir com a economia equilibrada, o governo apelou para buscar ajuda no exterior e quem apareceu como saída para a crise? Claro, os chineses. Estes, como já é sabido, pela falta de espaço físico (embora a China seja um colosso em extensão territorial, é ao mesmo tempo um colosso populacional que consome os seus recursos gerais, principalmente, os recursos naturais, o que a leva expandir-se além do oriente, como no caso em tela), investem freneticamente na busca de recursos naturais pelo mundo e com isto, concedem créditos bilionários a quem está com dificuldades em sua economia, como no caso dos 50 (cinquenta) bilhões de dólares concedidos a própria Venezuela em 2.007, o que fez este governo pedir mais créditos para poder se reequilibrar.

O que poderia melhorar na economia venezuelana, principalmente nos momentos de crise, seria a importação da commodity natural, no caso do petróleo, com maior frequência, o que geraria um impacto positivo na economia do país, mas para que isto aconteça necessário se fazer melhorias em sua produção, pois o petróleo do Estado é de qualidade boa, mas sobretudo pesado, bruto, o que leva a PDVSA (empresa estatal venezuelana que explora, produz o refino do petróleo, como também comercializa e transporta), a buscar petróleo leve no exterior pelo fato deste servir de diluente do petróleo bruto (que é o mais comum no solo da Venezuela), por causa do hidrocarboneto (composto binário de carbono e hidrogênio) que é de menor quantidade, bem como necessita utilizar-se além deste, de diluentes que funcionam como aditivos, obrigando o país a criar uma infraestrutura mais sólida, porque atualmente é defasada.

Outro equívoco, é o governo misturar problemas de incompatibilidade ideológica e ou cultural com países hegemônicos, como no caso dos Estados Unidos da América trazendo instabilidade econômica, haja vista, leva a este aplicar medidas severas contra o país nos órgãos internacionais, prejudicando mais ainda o único nicho em potencial da Venezuela, (considerado o calcanhar de Aquiles do Estado na economia) que é o petróleo e sua exportação, fora a restrição na concessão de vistos de vários dirigentes venezuelanos que foram impedidos de ir ao Tio Sam concretizar negócios em benefício do país.

Referências:

. Carta Capital, de 06 de janeiro de 2.015. Título: “Queda do petróleo leva a Venezuela à beira do colapso”.

. www.fflch.usp.br/node/1618

. Gazeta do povo, de 21 de agosto de 2.014. Título: “Venezuela torna-se a maior reserva de petróleo do mundo”.

. Houaiss. “Dicionário da língua portuguesa”, p. 232, Editora Objetiva.

 

Publicado por:Edney Abrantes

Bacharel em Direito pela UMC, Advogado OAB/SP. 178.856, Membro da Comissão de Meio-Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB/SP, Subsecção São Vicente/SP, Consultor Político formado pela MANHANELLI ASSOCIADOS, Cientista político pela FESP-SP, especialista em Política e Relações Internacionais pela FESP-SP, Associado ao Núcleo de Estudos em Relações Internacionais NEMRI da FESP-SP, Pesquisador registrado no CNPQ, Mestre em Gestão Ambiental pelo Instituto Iberoamericano, e Mestrando em PMICH em Sociedade, Comunicação e Política, pela UNISA, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral pela USP, especialista em Direito Processual pela UNISANTOS, MBA em Direito Empresarial na Strong/FGV.